28 de fevereiro de 2020 / por ondatkm

O que é e como analisar um Balanço Patrimonial

Um dos principais demonstrativos que uma empresa deve fazer de forma obrigatória é o Balanço Patrimonial (BP), também chamado de balanço contábil. Documento que junto aos Demonstrativo de Resultados do Exercício (DFC) e Demonstrativo de Fluxo de Caixa compõe as principais demonstrações contábeis de uma empresa.

Apesar de ser um dos mais importantes relatórios emitidos por uma empresa, sendo primordial para a análise de acionistas e possíveis investidores, ainda há muita desinformação e dúvidas sobre o Balanço Patrimonial. Ao ponto de que existem empresas que passam anos sem fazer o seu balanço.

Portanto, nesse artigo iremos dissecar os principais aspectos dessa importante demonstração contábil, sua definição, composição, montagem e análise.

O que é Balanço Patrimonial?

O balanço patrimonial é o relatório que evidencia qualitativa e quantitativamente a posição patrimonial e financeira da empresa em uma determinada data.

A demonstração contábil informa sobre os bens, direitos e obrigações de uma empresa. Sendo possível identificar todos os seus investimentos e fontes de recurso.

Isso é feito de forma a colocar o patrimônio em equilíbrio, igualando bens e direitos a obrigações e a participação dos acionistas. Desse equilíbrio advém o termo balanço, que remete a uma balança de 2 pratos perfeitamente equilibrada, onde de um lado estão os Ativos (Bens e Direitos de uma empresa) e de outro estão seus Passivos (Obrigações) somados com seu patrimônio líquido (o que sobra se todos os passivos forem saldados).

Dessa forma, se o patrimônio líquido (PL) pode ser melhor explicado e compreendido através da equação: “PL = Ativos – Passivos”, o balanço patrimonial pode ser melhor compreendido como uma variação dessa equação que afirma o mesmo da seguinte forma: “Ativos = Passivos +PL”.

Isso posto, fica mais fácil compreender porque o balanço é organizado em duas colunas, a da esquerda com os ativos, e a da direita com os passivos da empresa. E também porque o resultado da adição dos valores dispostos nas duas colunas, os totais de passivos e ativos devem sempre ser iguais.

Utilidades do Balanço Patrimonial

Essa demonstração financeira é extremamente útil na análise de resultados de uma empresa, podendo ser usada para:

  • Visualmente demonstrar a posição patrimonial da empresa em um determinado período;
  • Destacar as principais fontes de recursos e dívidas da empresa;
  • Dar lastro ao pagamento de dividendos aos sócios da empresa;
  • Permitir o planejamento tributário.

Composição do Balanço Patrimonial

Como vimos, o Balanço Patrimonial informa sobre todos os bens, direitos e obrigações de uma empresa e os distribui lado a lado, de forma a equilibrá-los, ao longo de duas colunas. Uma de ativos, e outra de passivos

No entanto, antes de irmos para a composição prática do balanço, vale a pena explicarmos melhor o conceito por trás de cada um desses elementos.

Ativos: Bens e Direitos

Os bens e direitos são a parte do patrimônio de uma empresa que é chamada de ativos. Eles são recursos capazes de gerar benefícios econômicos futuros. Assim sendo, compensa também diferenciá-los.

Bens são tudo que possa satisfazer alguma necessidade da organização, eles possuem um valor e são de posse da empresa. Por exemplo, móveis, imóveis, equipamentos, máquinas, e até mesmo dinheiro em cofre.

Um direito, por outro lado, nada mais é do que um bem que não está sobre o poder direto da empresa. Como, por exemplo, dinheiro depositado em um banco, recursos recebidos pelo aluguel de uma máquina, ou mesmo o pagamento ainda não recebido de algo que você já vendeu.

Passivos: Obrigações

Os passivos são representados pelas obrigações para com terceiros, que para ser saldadas exigirão a liquidação de ativos.

As obrigações são de certa forma opostas aos direitos, elas se originam de bens que não são seus, mas estão sobre o seu poder como uma máquina alugada, dinheiro emprestado, o trabalho de um funcionário. Tais itens geram obrigações que em algum ponto serão pagas através da liquidação de ativos.

Patrimônio Líquido

Patrimônio Líquido é o patrimônio que pode ser efetivamente convertido em valor monetário se necessário, o que resta, quanto todas as obrigações são pagas com os recursos dos bens e direitos.

Ele também pode ser enxergado como a diferença positiva entra os ativos e passivos de uma empresa.

Organização do Balanço Patrimonial

Conforme explicamos anteriormente, para melhor representar o equilíbrio da equação “Ativos = Passivos – PL”, o balanço patrimonial é organizado com o detalhamento de todos os ativos a esquerda e passivos a direita.

Além disso, os ativos e passivos são agrupados em contas de acordo com seu tipo e organizados por ordem de liquidez. Os valores mais líquidos (que podem ser mais rapidamente transformados em dinheiro) aparecem primeiro no balanço.

Para facilitar essa organização os ativos são separados nos seguintes blocos de contas:

  • Ativos Circulantes: Direitos que a empresa consegue transformar em dinheiro (realizar) em menos de 1 ano.
    Dentro desse blocos estarão dispostas contas como: Caixa, Bancos, Contas a Receber e Estoques.
  • Ativos não Circulantes: Bens e direitos com realização acima de um ano.

De forma similar os passivos também são separados em:

  • Passivo Circulante: obrigações que vencem no prazo de até um ano.

Onde estarão contas como: Fornecedores, Empréstimos e Impostos.

  • Passivo não Circulante: obrigações com vencimento superior a um ano.

E por último na coluna dos passivos são mostrados os valores referentes ao Patrimônio Líquido. Recursos diretamente investidos pelos sócios, reservas de capital, etc.

O resultado fica assim:

 

Como é feito o balanço patrimonial

A preparação do Balanço Patrimonial começa no término do exercício por meio do levantamento do balancete de verificação.

Ajuste nas contas patrimoniais e de resultado

O balancete é feito mensalmente ao longo do exercício, e tem por objetivo conhecer e conferir o saldo de todas as contas utilizadas pela empresa, quer patrimoniais, quer de resultados.

No entanto, as contas no balancete nem sempre representam os valores reais do patrimônio naquela data, nem ao longo do exercício. Isso acontece por que muitos dos componentes patrimoniais mudam de valor sem que a contabilidade registre isso, ao mesmo tempo, receitas e despesas recebidas ou pagas durante o exercício, não correspondem realmente aos ingressos e ao custo do período.

Por isso, um ajuste deverá ser feito nas contas patrimoniais e de resultado na data do levantamento do Balanço Patrimonial.

Conciliação dos saldos contábeis

Na conciliação os saldos das contas serão comparados com dados externos a contabilidade para que se possa ter certeza de sua exatidão.

Geralmente, os valores são comparados com os livros fiscais, os extratos bancários, as posições de financiamentos e carteiras de cobranças, as folhas de pagamento, os controles de caixa, etc.

Encerramento do Exercício

Devem então ser apurados os resultados do exercício em questão. Para isso, os lançamentos de encerramento são feitos, debitando-se as contas de receitas e creditando-se uma conta transitória, chamada de “apuração do resultado do exercício”.

Nas contas de despesas o inverso é feito, debitando os valores a conta de apuração do resultado recém criada. De forma que os valores no saldo dessa conta se tornam os resultados que devem ser distribuídos conforme proposta da administração.

Essa parte do processo, tem íntima relação com a DRE (Demonstração dos Resultados do Período).

DLPA (Declaração de Lucros e Prejuízos Acumulados)

Apesar de ser por si só outra demonstração contábil importante, e obrigatória para empresas no regime de tributação de lucro real, a apuração dos lucros e prejuízos acumulados é a última etapa da elaboração do Balanço Patrimonial.

A DLPA é similar a um mapa que demonstra a origem do recurso e sua aplicação ao longo do exercício. E seus dados são obtidos através da integração do Balanço Patrimonial com a Demonstração de Resultados do Exercício. Na DLPA devem constar obrigatoriamente os tópicos:

  • Saldo inicial de lucros ou prejuízos, com os devidos ajustes nos exercícios anteriores;
  • O pagamento de dividendos e demais modalidades de distribuição de lucros;
  • O montante de lucro que tiver sido incorporado ao capital do negócio;
  • A ocorrência de alguma mudança na contabilidade que afete os lucros e prejuízos;
  • Saldo final de lucros ou prejuízos acumulados do período.

Empresas optantes pelo SIMPLES precisam fazer o Balanço Patrimonial

O fato do simples nacional fazer com que microempresas e empresas de pequeno porte não tenham que encaminhar seus Balanços Patrimoniais para o fisco não significa que essas empresas estão desobrigadas de preparar o demonstrativo. Apesar de que, na prática, muitas não o fazem.

No entanto, o registro contábil é obrigatório segundo as normas do CFC (Conselho Federal de Contabilidade) para qualquer tipo de empresa. E o Código Civil em seu artigo 1.179 obriga todas as empresas a levantar anualmente seu Balanço Patrimonial, podendo evitar a obrigação apenas o microempreendedor individual (MEI).

Dando força a essa interpretação legal vem o fato de que processos licitatórios exigem que as microempresas e empresas de pequeno porte apresentem seus balanços patrimoniais como forma de comprovação financeira.

Todo contador deve preparar o Balanço Patrimonial das empresas cuja as contas administra, havendo a necessidade de apresentação ou não, justamente pela importância analítica do documento.

Analisando o Balanço Patrimonial através de indicadores

O balanço patrimonial é capaz de dizer bastante sobre o potencial de uma empresa e o que ela tem passado. Uma das principais forma de analisá-lo é através do cálculo de indicadores utilizando dados que podem ser coletados no demonstrativo.

Veja abaixo os principais.

Indicadores de Rentabilidade

Retorno sobre os Ativos = Lucro Líquido/Ativo Total

Giro de Ativos = Vendas /Ativo Total

Retorno sobre o Patrimônio Líquido = Lucro Líquido /Patrimônio Líquido.

Indicadores de Liquidez

Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

Liquidez Seca = (Ativos Circulantes – Estoques) / Passivos Circulantes

Liquidez Geral = (Ativos Circulantes + Realizável a Longo Prazo) / (Passivo Circulantes + Exigível a
Longo Prazo)

Liquidez Imediata = Disponível /Passivos Circulantes

Indicadores de Endividamento

Endividamento = Passivo Total /Ativo Total

Grau de Endividamento = Passivo / Patrimônio Líquido

Conclusão

O Balanço Patrimonial é um documento de importância imensa para empresas. Não somente por ser de apresentação obrigatória, mas por ser capaz de demonstrar o verdadeiro estado do patrimônio de uma organização.

Como profissionais de contabilidade, devemos prezar pelas melhores práticas e garantir que nossos clientes estejam trabalhando em conformidade com as legislações e de posse de informações estratégicas relevantes para o seu negócio.

Por último, como o Balanço Patrimonial é entregue via ECD (Escrituração Contábil Digital), é importante ficar atento a todas as atualizações no SPED, e se adiantar para que nenhum contratempo comprometa a conformidade de nossos clientes.


 

Fonte: Jornal Contábil